10 dicas para a primeira viagem internacional (julho/2026)

Você juntou dinheiro o ano inteiro pra essa viagem. Seria uma pena descobrir, faltando duas semanas, que o passaporte não sai a tempo. Ou pagar 12% a mais no câmbio porque comprou dólar no lugar errado. Ou chegar na imigração sem saber o que responder.
Nada disso é difícil. Só acontece na ordem errada, porque ninguém te contou a ordem certa.
Este texto é a conversa que a gente teria num café, se eu já tivesse feito a viagem que você vai fazer. Cada número aqui tem link pra fonte oficial, porque em julho de 2026 tem muito guia de viagem circulando com informação de 2019.
O resumo, se você só ler isto:
- Passaporte: R$ 257,25, pronto em 6 dias úteis depois do atendimento. A fila pra agendar é que demora
- Europa: você não precisa de visto nem de ETIAS. O ETIAS só chega no fim de 2026
- Dinheiro: o IOF é 3,5% em tudo. Espécie não é mais mais barato que cartão
- Na volta: US$ 1.000 de compras isentas. Passou disso, paga 50% sobre o excedente
- Em espécie: até US$ 10.000 sem declarar
Antes de tudo: três coisas mudaram em 2025 e 2026
Se o guia que você leu foi publicado antes de 2025, ele tem pelo menos três erros. A Europa parou de carimbar passaporte e passou a fazer biometria. O ETIAS foi adiado e ficou quase três vezes mais caro do que anunciaram. E o governo brasileiro igualou o IOF de todas as formas de levar dinheiro, o que derrubou o conselho mais repetido do país.
Se algo aqui contradiz o que você leu por aí, veja a data do outro texto.
1. Tire o passaporte antes de comprar a passagem
Essa é a inversão que mais custa caro em primeira viagem. Passaporte primeiro, passagem depois, porque a passagem tem data e a fila da Polícia Federal não negocia com você.
O documento em si é rápido e barato: R$ 257,25 de taxa, e a PF entrega a partir de 6 dias úteis depois do atendimento presencial. Você tem 90 dias pra buscar.
O gargalo não é a emissão, é conseguir agendar o atendimento. A PF emitiu cerca de 2,6 milhões de passaportes em 2025, o maior número em seis anos. Dependendo da sua cidade e da época do ano, o agendamento sai em poucos dias ou leva algumas semanas.
Existe um procedimento de urgência, de 1 a 2 dias úteis, por mais R$ 77,17. Mas ele exige comprovar motivo de trabalho, estudo ou saúde. Não serve pra consertar distração.
E cuidado com o passaporte que você já tem guardado na gaveta: se ele estiver válido e você perder, a reemissão custa R$ 514,50, o dobro.
2. Descubra o que o seu destino exige (a lenda dos 6 meses é falsa)
“Passaporte precisa ter 6 meses de validade” é a informação mais repetida sobre viagem internacional, e ela não é uma regra do Brasil. Cada país exige uma coisa, e a Europa exige duas ao mesmo tempo.
Pra entrar no Espaço Schengen, o seu passaporte precisa ter sido emitido nos últimos 10 anos e ainda ser válido por 3 meses depois da data em que você volta. Repare na primeira condição: quem tirou passaporte há onze anos, com validade longa, pode ser barrado sem nunca ter ouvido falar dela. Vale conferir a data de emissão hoje, não na véspera.
A regra dos 6 meses existe de verdade em vários lugares, só não em todos. Tailândia e Singapura exigem, e está escrito na fonte oficial dos dois. Já o Japão responde, no FAQ da própria embaixada, que basta o passaporte valer durante o período da sua estada. Cuidado com uma coisa: mesmo onde o país não exige, a companhia aérea pode exigir por conta própria. Cheque os dois.
| Destino | O que você precisa | Custo | Detalhe que pega gente |
|---|---|---|---|
| Argentina, Uruguai, Chile e outros do Mercosul | Só o RG físico, emitido há menos de 10 anos | Grátis | CNH e carteira da OAB não valem |
| Europa (Schengen) | Passaporte: 10 anos de emissão, 3 meses de validade | Grátis | ETIAS de 20 euros, só no fim de 2026 |
| Estados Unidos | Visto B1/B2 | US$ 185 | Brasileiro não tem direito ao ESTA. É visto mesmo |
| Reino Unido | ETA | £ 20 | Vale 2 anos e várias entradas |
| Canadá | eTA, se você for elegível | CAD 7 | Só chegando de avião, e exige visto americano válido |
Sobre os Estados Unidos, uma boa notícia pro seu orçamento. Você provavelmente leu sobre uma “Visa Integrity Fee” de US$ 250. A lei que criou essa taxa foi sancionada em julho de 2025, mas ela nunca foi regulamentada e não está sendo cobrada. Não aparece na tabela oficial do Departamento de Estado. Não coloque esses US$ 250 na sua planilha.
O que existe de verdade, e é bom você saber: desde 1º de julho de 2026, uma regra temporária (que vale até 31 de dezembro de 2026) criou uma taxa opcional de US$ 750 pra furar a fila da entrevista, em alguns consulados. É dinheiro a mais, por cima dos US$ 185, e não aumenta em nada a sua chance de conseguir o visto. Se você se planejou, não precisa.
3. A Europa não carimba mais o seu passaporte
Se você sonhava com aquele carimbo na página em branco, sinto muito. Desde 10 de abril de 2026, a Europa registra sua entrada e saída por biometria: quatro digitais e uma foto do rosto, na primeira vez que você entra. É o EES, é automático, e não custa nada pra você.
Muita gente confunde EES com ETIAS. São coisas diferentes, e a diferença importa pro seu bolso:
- EES já existe. É a biometria na chegada. Você não faz nada antes de viajar e não paga nada.
- ETIAS ainda não existe. Vai ser uma autorização que você pede pela internet antes de embarcar, vai custar 20 euros, e a previsão oficial é começar no último trimestre de 2026. Menor de 18 e maior de 70 não pagam. A Comissão Europeia diz que a data exata ainda será comunicada, e até 8 de julho de 2026 nenhuma data foi anunciada.
Então: se um site te disser que o ETIAS custa 7 euros, ele está velho (esse era o preço anunciado antes de julho de 2025). Se disser que o ETIAS já é obrigatório, ele está errado, e possivelmente tentando te vender alguma coisa. Cheque a página da Comissão Europeia antes de embarcar, e desconfie de site que cobra pra “adiantar” o seu ETIAS.
Uma última que vale ouro: você pode ficar até 90 dias a cada 180 no Espaço Schengen. Antes dava pra fingir que não sabia, porque dependia de alguém ler um carimbo borrado. Agora o sistema conta sozinho.
4. O seguro viagem: a conta que ninguém quer fazer
Aqui a simplificação mais comum esconde uma nuance que muda a decisão. Sim, existe uma exigência de 30 mil euros de cobertura pra Europa. Só que ela está no Código de Vistos da União Europeia e vale pra quem pede visto. Brasileiro é isento de visto. Ou seja: juridicamente, ninguém é obrigado a te barrar por falta de apólice.
Isso não te livra de nada. Só muda a natureza da decisão: deixou de ser burocracia e virou aposta.
Faça a conta com a sua viagem. Nos Estados Unidos, um hospital gasta em média US$ 3.297 por dia de internação (dado do KFF, de 2024). Esse é o custo do hospital: a fatura de um estrangeiro sem seguro parte daí e costuma subir. Na Inglaterra, mesmo com saúde pública, o NHS cobra de quem não é residente 150% da tarifa normal.
Do outro lado da balança, segundo comparadores de mercado, um seguro sai por R$ 60 a R$ 150 pra sete dias na Europa, e R$ 80 a R$ 180 nos Estados Unidos. Dez dias de cobertura custam, no pior caso, uns R$ 260. Um único dia de internação americana passa de R$ 18 mil.
Você economizou o ano todo pra essa viagem. Não é aqui que vale economizar R$ 260.
O agente de imigração até pode pedir sua apólice, e a companhia aérea também: ele tem poder discricionário pra exigir comprovações que não estão na lista formal. Mas esse nem é o ponto. O hospital cobra você tenha ou não mostrado apólice na fronteira.
5. Vacina e documentos de quem viaja com você
O certificado de febre amarela, o CIVP, é de graça, emitido pela Anvisa. Duas regras: a vacina precisa ter sido tomada com pelo menos 10 dias de antecedência, e o certificado vale pra vida toda desde 2016. Ninguém pode exigir reforço de você.
A lista de países que pedem o CIVP de quem sai do Brasil surpreende: Austrália, Malta, Singapura, Costa Rica, Panamá, China, Índia, Tailândia, África do Sul. Um aviso honesto: a lista publicada pela Anvisa está parada em dezembro de 2022. Confirme com o consulado do seu destino.
Se tem criança no grupo, resolva isso cedo. Viajando com pai e mãe, não precisa de nada. Com só um dos dois, o outro precisa autorizar por escrito, com firma reconhecida. Sozinha ou com terceiros, precisa da autorização dos dois. Existe a AEV, uma autorização eletrônica gratuita pelo e-Notariado, pra menores de até 16 anos. E se a autorização não tiver prazo escrito, ela vale 2 anos.
6. Como levar o dinheiro (o conselho antigo virou pó)
Se alguém te disser “leva dinheiro vivo que o imposto é menor”, essa pessoa está um ano desatualizada.
Era verdade até junho de 2025: espécie pagava 1,1% de IOF e cartão de crédito pagava 3,38%. Aí veio o Decreto 12.499/2025 e igualou tudo. Hoje é 3,5% em cartão de crédito, débito, saque, pré-pago e dinheiro vivo. O imposto deixou de ser critério pra escolher qualquer coisa.
O que decide o seu custo agora é onde você compra, e a diferença é bem maior que o imposto. No Ranking do VET publicado pelo Banco Central em maio de 2026, comprar US$ 1.000 em espécie custava entre R$ 5,1997 e R$ 5,8670 por dólar, dependendo da instituição. É 12,8% de diferença, no mesmo período, pelo mesmo produto: cerca de R$ 667 que ficam no seu bolso ou no de outra pessoa, só por você pesquisar.
O VET (Valor Efetivo Total) já inclui o IOF e as tarifas, e a instituição é obrigada a te informar antes de fechar a operação. Use o ranking pra decidir onde pesquisar, não como cotação do dia: ele consolida as operações do mês anterior.
E não adianta chutar pelo tipo de empresa: os grandes bancos de varejo ficaram no meio do ranking, e o pior colocado também era um banco grande. Olhe a instituição, não a categoria.
| Como levar | IOF | Variação de preço entre instituições | Quando faz sentido |
|---|---|---|---|
| Dinheiro em espécie | 3,5% | Gigante: 12,8% (VET, maio/2026) | Gorjeta, emergência, lugar que não passa cartão. Pesquisar compensa muito |
| Cartão pré-pago | 3,5% (na hora que você carrega) | Pequena: 2,1% (VET, maio/2026) | Quando você quer travar o câmbio de hoje |
| Cartão de crédito | 3,5% (na fatura) | Não medido pelo VET: depende do câmbio do dia da compra | Praticidade e proteção contra fraude |
| Saque em caixa eletrônico | 3,5% mais tarifas | Não medido pelo VET: é a forma mais cara de todas | Só se não tiver alternativa |
Duas armadilhas que custam dinheiro de verdade lá fora:
“Quer pagar em reais?” Sempre diga não. Pague na moeda local. Essa conversão simpática que a maquininha oferece é um produto vendido ao lojista, e quem paga a conta é você: num estudo europeu com 1.500 transações, publicado pela BEUC em 2017, aceitar a conversão saiu 7,6% mais caro em média, e o cliente perdeu dinheiro em 99,7% dos casos. A Visa inclusive obriga a máquina a te dar a escolha, e proíbe que escolham por você.
Sacar dinheiro no caixa eletrônico. É a forma mais cara de todas, porque empilha três cobranças: os 3,5% de IOF, a tarifa do seu banco e a tarifa da máquina (nos Estados Unidos, uma média de US$ 4,86 por saque em 2025). Se precisar sacar, saque um valor maior de uma vez.
Uma dica que vale mais que qualquer cartão: leve um segundo cartão, de outro banco e outra bandeira, guardado em lugar diferente da carteira. É o antídoto real contra bloqueio e contra furto.
7. Passagem: desconfie de quem promete o dia mágico
Existe uma indústria inteira de conselhos sobre o dia certo de comprar passagem. Quase nada disso foi medido com voo saindo do Brasil.
O relatório Expedia 2026 Air Hacks, por exemplo, aponta que comprar voo internacional entre 31 e 45 dias antes sai em média US$ 190 mais barato do que comprar com seis meses. O mesmo relatório aponta uma janela ainda mais barata, de 8 a 15 dias antes, o que já mostra o quanto essas médias oscilam. E tem um detalhe que decide tudo: ele analisa voos partindo dos Estados Unidos. Nosso verão é o inverno deles, nossas rotas e nosso câmbio são outros. Sirva-se disso como pista de comportamento, não como regra pro seu voo.
O que dá pra dizer com segurança: comprar com seis meses de antecedência raramente é o mais barato, ao contrário do que todo mundo acredita. E comprar cedo demais tem um custo escondido, que é travar a data antes de saber se o passaporte sai a tempo. Volte pra dica 1.
8. Monte um roteiro por dia, não uma lista de desejos
Aqui está o desperdício mais silencioso de uma primeira viagem. Não é dinheiro, é dia.
Uma lista com quinze lugares em Paris parece maravilhosa até você perceber que atravessou a cidade quatro vezes num dia e passou duas horas no metrô. O problema não é a lista, é a ordem e a geografia. O Louvre e a Sainte-Chapelle ficam a 8 minutos a pé um do outro. Se eles caem em dias diferentes, você pagou duas viagens de metrô e perdeu uma manhã.
Um roteiro de verdade agrupa lugares por região, encaixa cada grupo num dia e deixa o primeiro dia em paz. Você vai chegar cansado, e a chance de o voo atrasar não é pequena: em 2025, 18% dos passageiros no Brasil tiveram o voo cancelado ou atrasado em mais de três horas, segundo a AirHelp. Quase um em cada cinco.
Não precisa preencher cada hora. Precisa saber, pra cada dia, em que bairro você acorda e em que bairro você dorme. O resto acontece na rua.
É exatamente isso que a Minha Viagem Pronta faz: você diz o destino, as datas e o que quer conhecer, e recebe os lugares organizados dia a dia, na ordem certa, com o mapa de cada dia.
9. A imigração: o medo é bem maior que o risco
Nos fóruns de quem viaja pela primeira vez, a pergunta que mais aparece não é sobre documento. É “posso ser barrado?”. Por trás dela mora um medo específico: o de passar vergonha e perder a viagem que custou um ano de trabalho. A boa notícia é que o preparo cabe numa pasta.
O agente quer saber três coisas: por que você veio, quanto tempo fica e como se sustenta. Tenha em mãos, impresso ou no celular:
- Passagem de volta, ou de saída do país
- Onde você vai dormir (reserva do hotel, ou o endereço de quem vai te receber)
- Como você vai se sustentar
Sobre o último item existe número, e vale conhecer. Em Portugal, a referência é 75 euros pela entrada, mais 40 euros por dia de permanência. Você fica dispensado disso se comprovar hospedagem e alimentação, ou se apresentar uma carta-convite de um residente. Cada país do Schengen tem o seu valor.
Duas regras que resolvem quase tudo: responda o que foi perguntado, sem discursar. E não minta. Vai ficar na casa de um amigo? Diga isso, com o endereço na mão. Mentira descoberta é um problema muito maior que qualquer resposta honesta.
E se o inglês te preocupa: dá pra viajar sem falar inglês. Baixe o pacote de idioma offline do Google Tradutor antes de embarcar. Se a ansiedade for grande mesmo, um destino que fala espanhol ou português resolve metade do problema na primeira viagem.
10. Planeje a volta, porque é lá que mora a Receita Federal
Quase todo mundo acha que a fiscalização é na ida. Não é. O único momento em que você encontra a Receita Federal é na volta, com a mala cheia de presente.
- Você tem US$ 1.000 de isenção chegando de avião (US$ 500 por terra), uma vez a cada 30 dias. O que passar disso paga 50% de imposto sobre o excedente.
- A cota é individual e não soma. Casal não junta US$ 2.000 pra trazer um notebook de US$ 1.500. Este é o erro que mais dói na fila da alfândega.
- O free shop da chegada tem cota própria, de mais US$ 1.000. Mas o free shop da saída do Brasil entra na mesma cota de US$ 1.000 das compras lá fora.
- Dinheiro em espécie: até US$ 10.000 por pessoa, somando todas as moedas. Acima disso, e-DBV obrigatória. E a punição não é multa: você perde o valor que passou do limite. Pré-pago carregado e conta global não contam, porque a regra é sobre dinheiro físico.
Uma dica que salva na chegada: se você leva notebook, câmera ou relógio caro comprados aqui, leve a nota fiscal ou registre os bens na e-DBV na saída. Evita ter que provar, na volta, que aquilo não foi comprado lá fora.
O que fazer, e quando
- 120 dias antes: agende o atendimento do passaporte. Descubra se o destino pede visto, ETA, eTA ou vacina.
- 90 dias antes: passaporte na mão. Agora compre a passagem. Se o destino for os Estados Unidos, comece o processo do visto, porque a fila da entrevista é o gargalo.
- 60 dias antes: vacina de febre amarela, se o destino pedir. Emita o CIVP na Anvisa, de graça.
- 30 dias antes: contrate o seguro. Reserve as hospedagens. Monte o roteiro dia a dia.
- 15 dias antes: compare o VET no ranking do Banco Central e compre a moeda. Resolva chip ou eSIM.
- 7 dias antes: faça o check-in quando abrir. Baixe o idioma offline. Guarde cópias digitais de passaporte, seguro e reservas.
- Véspera: confira as regras de bagagem da sua companhia. Separe o segundo cartão, longe da carteira.
- No dia: chegue com folga. Mala extraviada acontece (foram 4,9 malas com problema a cada 1.000 passageiros no mundo em 2025). Leve na bagagem de mão os remédios, os documentos e uma muda de roupa.
Perguntas frequentes
Quanto custa e quanto tempo demora para tirar o passaporte em 2026?
A taxa é de R$ 257,25 e o passaporte fica pronto a partir de 6 dias úteis depois do atendimento na Polícia Federal. Mas o prazo que importa é outro: a fila para conseguir agendar o atendimento, que varia de poucos dias a algumas semanas dependendo da sua cidade. Comece por aí, não pela passagem.
Preciso de visto ou ETIAS para viajar para a Europa agora, em 2026?
Não. Consultada em julho de 2026, a Comissão Europeia informa que o ETIAS ainda não está em operação e que nenhum pedido está sendo recebido. A previsão oficial é começar no último trimestre de 2026, ao custo de 20 euros, e a data exata ainda não foi anunciada. Se você viaja nos próximos meses, entra no Espaço Schengen a turismo sem visto e sem ETIAS.
O passaporte precisa mesmo ter 6 meses de validade?
Não é uma regra do Brasil, é uma exigência de cada país, e ela muda. A Europa pede duas coisas ao mesmo tempo: passaporte emitido nos últimos 10 anos e válido por pelo menos 3 meses depois da data que você volta. Tailândia e Singapura pedem 6 meses. O Japão, ao contrário do que muita gente repete, só pede validade durante o período da estada. Cheque a regra do seu destino.
Seguro viagem é obrigatório para a Europa?
Não, não para o turista brasileiro. A exigência de 30 mil euros de cobertura está no Código de Vistos da União Europeia e vale para quem solicita visto, e o brasileiro é isento. Mas o agente de imigração pode pedir a apólice mesmo assim, e o hospital cobra de você de qualquer jeito: nos Estados Unidos, um hospital gasta em média US$ 3.297 por dia de internação, enquanto dez dias de seguro saem por menos de R$ 260.
Quanto dinheiro em espécie posso levar sem declarar?
Até US$ 10.000 por pessoa, somando todas as moedas. Acima disso você precisa preencher a e-DBV da Receita Federal. E a punição por não declarar não é multa: você perde o dinheiro que passou do limite. Cartão pré-pago carregado e saldo em conta global não entram nessa conta, porque a regra é sobre dinheiro físico.
É melhor levar dinheiro em espécie ou cartão?
Cartão para a maior parte dos gastos, e espécie só para gorjeta, emergência e lugares que não aceitam cartão. O IOF hoje é 3,5% nos dois, então esqueça o conselho antigo de que dinheiro vivo paga menos imposto. O que decide o seu custo agora é onde você compra: no Ranking do VET do Banco Central, comprar US$ 1.000 em espécie variou 12,8% entre a instituição mais cara e a mais barata. São R$ 667 de diferença só por pesquisar.
Quanto posso trazer de compras do exterior sem pagar imposto?
US$ 1.000 por pessoa chegando de avião, e o que passar disso paga 50% de imposto sobre o excedente. O free shop do aeroporto de chegada tem uma cota separada, de mais US$ 1.000. Atenção na hora de comprar em casal: a cota é individual e não soma, então vocês não têm US$ 2.000 para um único notebook de US$ 1.500.
Dá para viajar para a Argentina ou o Uruguai só com o RG?
Dá, para turismo no Mercosul. A Polícia Federal exige o RG físico, emitido há menos de 10 anos, com foto que ainda pareça com você. Foto digital do documento no celular não vale, e CNH, carteira da OAB e CRM também não valem.
O que não pode levar na bagagem de mão?
Pela Resolução 515/2019 da ANAC, líquidos, géis, pastas, cremes e aerossóis só podem ir em frascos de até 100 ml, todos dentro de uma única embalagem plástica transparente que feche, de no máximo 1 litro, uma por passageiro. O detalhe que barra gente todo dia: o que vale é a capacidade do frasco, não quanto sobrou dentro dele. Um frasco de 200 ml pela metade é barrado. Medicamento com receita e alimentação de bebê são exceção.
Quanto dinheiro preciso levar em uma viagem internacional?
Não existe número universal, mas existe um piso legal: cada país do Espaço Schengen define quanto você precisa comprovar na imigração. Portugal pede 75 euros pela entrada mais 40 euros por dia. A Croácia pede 70 euros por dia. A Itália, para uma viagem de 6 a 10 dias, pede cerca de 45 euros por dia. A Comissão Europeia publica a tabela de todos os países. Use esse valor como mínimo, não como orçamento.
Com quanto tempo de antecedência preciso chegar no aeroporto?
Não existe antecedência mínima definida por lei. A ANAC apenas determina que você se apresente no horário estabelecido pela companhia aérea, e são elas que recomendam 3 a 4 horas para voo internacional (a Azul, por exemplo, recomenda 4 horas). O prazo que tem consequência é o do fechamento do check-in, que muda por aeroporto: em Lisboa a Azul fecha 60 minutos antes da decolagem, em Paris-Orly, 1h30.
Tudo aqui vale para julho de 2026. As regras que dependem de decreto (ETIAS, IOF, taxas de visto) mudam, então confirme na fonte oficial antes de embarcar: os links estão logo abaixo.
Resolvida a papelada, sobra a parte boa, que é decidir o que ver e em que ordem. Essa parte a gente monta pra você.
Fontes
- Polícia Federal: pagamento da taxa do passaporte
- Polícia Federal: prazo de entrega do passaporte
- Polícia Federal: viagem ao Mercosul sem passaporte
- Comissão Europeia: ETIAS
- Comissão Europeia: EES plenamente operacional em 10 de abril de 2026
- Comissão Europeia: documentos de viagem para nacionais não-UE
- U.S. Department of State: Fees for Visa Services
- Federal Register: taxa de entrevista expedita de US$ 750 (regra temporária)
- GOV.UK: Electronic Travel Authorisation (ETA)
- Government of Canada: elegibilidade ao eTA
- Anvisa: países que exigem o CIVP de febre amarela
- Conselho Nacional de Justiça: autorização de viagem de menor
- Planalto: Decreto 12.499/2025 (IOF)
- Câmara dos Deputados: o IOF de 3,5% voltou a valer em 17/07/2025
- Banco Central: Ranking do VET
- BEUC: estudo sobre conversão dinâmica de moeda (DCC)
- Visa: Dynamic Currency Conversion Explained
- Receita Federal: cota de isenção, duty free e bagagem tributável
- Receita Federal: Declaração Eletrônica de Bens de Viajante (e-DBV)
- AIMA (Portugal): meios de subsistência
- KFF: despesa hospitalar por dia de internação nos EUA
- GOV.UK: cobrança de visitantes estrangeiros pelo NHS
- SITA Baggage IT Insights 2026
- Bankrate: Checking Account and ATM Fee Survey
- AirHelp: atrasos e cancelamentos de voos no Brasil em 2025 (via InfoMoney)
- Expedia 2026 Air Hacks Report (dados do mercado dos EUA)
- Polícia Federal: emissão de passaportes em 2025 (via Poder360)
- Smartia: faixa de preço de seguro viagem em 2026 (comparador de mercado)
- ANAC: Resolução nº 515/2019 (líquidos na bagagem de mão)
- ANAC: Resolução nº 400/2016 (horário de apresentação definido pelo transportador)
- Azul: dicas e regras para viagem internacional (antecedência e fechamento do check-in)
- Comissão Europeia: valores de referência de meios de subsistência por país
- Embaixada do Japão: FAQ sobre validade do passaporte
- Real Embaixada da Tailândia: FAQ (validade mínima de 6 meses)
- ICA Singapura: requisitos de entrada (validade mínima de 6 meses)
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Você diz o destino e o que quer conhecer. A gente organiza os dias, a ordem certa e o mapa.
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